segunda-feira, 31 de Março de 2008

Associação de Municípios do Vinho quer abranger 100 concelhos até final 2008

A Associação de Municípios Portugueses do Vinho, constituída no ano passado por 45 autarquias para valorizar e promover os vinhos e regiões de origem, conta já com 85 concelhos e espera chegar aos cem até ao final de 2008.

A associação tem desenvolvido contactos com o Ministério da Agricultura, o Instituto do Vinho e o Turismo de Portugal, entre outras entidades do sector, nomeadamente na área empresarial para dinamizar uma estratégia de promoção do produto, aliada às especificidades de cada concelho.

«A promoção está objectivamente a ser cumprida», afirmou Paulo Caldas, referindo que a presença em certames internacionais relacionados com o vinho, a gastronomia e o turismo é já assegurada institucionalmente pela ANMP, o que permite ganhar escala, face às presenças individuais dos municípios, como sucedia anteriormente.

A associação pretende também impulsionar acções nos 20 a 25 municípios que dispõem de casas-museu ligadas ao vinho e à vida rural e dinamizar a rede de rotas do vinho para que tenha "eficácia de funcionamento enquanto produto turístico".

Em Abril, realiza-se no Cartaxo o Congresso Ibérico dos Museus do Vinho e da Vinha, com um programa de visitas que inclui o Norte e o Centro do país.

Em parceria com as congéneres espanhola e francesa e com a Rede Europeia das Cidades do Vinho, realiza-se em Abril e Maio a assembleia-geral desta entidade.

Quando da constituição da AMPV, Paulo Caldas afirmou que o objectivo era "quebrar protagonismos e umbigos" e, conjugando esforços, potenciar as iniciativas de cada um dos municípios e promover o vinho português tanto internamente como no exterior.

A associação começou por integrar os municípios da Mealhada, Vidigueira, Almeirim, Alpiarça, Arruda dos Vinhos, Borba, Lamego, Palmela, Peso da Régua, Praia da Vitória, Reguengos de Monsaraz, Cartaxo, Bombarral, Cadaval, Redondo, Alenquer, Loures, Óbidos, Torres Vedras, Cascais, Sintra, Santarém, Tomar, Chamusca, Armamar, Paredes, Famalicão, Sabrosa, Montijo, Rio Maior, Tábua, Cantanhede, Barcelos, Gouveia, Cuba, Mafra, Oeiras, Ourém, Alandroal, Vila Franca de Xira, Santa Marta de Penaguião, Baião, Azambuja, Carrazeda de Ansiães e Anadia.

Fonte: Lusa, 25 de Março de 2008

Marca Europeia para produtos agrícolas

No contexto do Relatório sobre o "exame de saúde" da PAC, Capoulas Santos viu aprovada a sua proposta de criação de uma "marca europeia" para a promoção dos produtos agrícolas europeus nos mercados internacionais na última sessão plenária do Parlamento Europeu.

O eurodeputado e coordenador do Grupo do PSE para os assuntos agrícolas, Capoulas Santos, pede à Comissão Europeia que ponha em marcha esta iniciativa cujo objectivo é permitir destacar os produtos europeus através de uma clara identificação das suas características de qualidade e conformidade com os requisitos ambientais, de higiene e segurança alimentar.

Esta é uma medida essencial para permitir uma escolha consciente aos consumidores e fazer jus aos métodos de produção agrícola e ao empenhamento dos agricultores europeus e que viria completar o apoio comunitário já previsto para medidas de promoção e informação de produtos agrícolas nos mercados de países terceiros.

Fonte: Infoeuropa, Nº 145 - 28 de Março de 2008

sexta-feira, 28 de Março de 2008

Feira do Fumeiro este fim-de-semana em Baião

A comercialização do fumeiro de Baião está a contribuir para a melhoria das condições económicas das populações rurais do concelho mais interior do distrito do Porto, disse o presidente da câmara, José Luís Carneiro. O autarca recorda que na Feira de Fumeiro deste ano, que vai decorrer de hoje até domingo, deverão ser vendidas mais de 2,5 toneladas deste produto tradicional, integralmente preparado nas freguesias do concelho, sobretudo nas serras do Marão e da Aboboreira. O certame registou no ano passado a visita de mais de dez mil pessoas, beneficiando das novas acessibilidades ao município.

Além de fumeiro, a feira tem para comercialização outros produtos tradicionais, como o vinho verde, os citrinos da Pala, o biscoito da Teixeira e a broa de milho. "É claro que cada vez mais gente do concelho se dedica a estas actividades tradicionais, porque percebe que começam a ser geradoras de receitas", enfatizou José Luís Carneiro.

Fonte: Público, 28.03.2008

quarta-feira, 26 de Março de 2008

Rota pela doçaria e tradições de Tentúgal

Uma viagem pelo património edificado e gastronómico e pelos costumes e tradições da vila de Tentúgal é a proposta da Confraria da Doçaria Conventual para o dia 5 de Abril com a iniciativa Cânticos por Tentúgal. Segundo Olga Cavaleiro, da direcção da Confraria de Doçaria Conventual de Tentúgal, a iniciativa compreende um passeio pelos "lugares mais emblemáticos" da vila do concelho de Montemor-o-Velho, em que serão também saboreadas iguarias típicas. Envergando os trajes típicos da confraria, os seus elementos interpretarão alguns cânticos populares de Tentúgal, à medida que é cumprido o roteiro pelo Convento de Nossa Senhora do Carmo, onde as carmelitas estiveram instaladas durante cerca de 400 anos, pelo lugar de Viseu, Torre do Relógio (datada da época medieval) e igrejas matriz e de Nossa Senhora das Dores. Durante o trajecto serão distribuídos "alguns mimos" aos participantes, nomeadamente biscoitos.

Fonte: Público, 26.03.2008

segunda-feira, 24 de Março de 2008

Chefs dão a cara pelas cervejas gourmet da Super Bock

A Super Bock Abadia Rubi e a Super Bock Abadia Gold são as protagonistas da nova campanha de publicidade da marca que arrancou no dia 21 de Março.Segundo a Unicer, o lançamento das novas Super Bock Abadia Gourmet representa um investimento global de três milhões de euros, incluindo desenvolvimento de produto e campanha below e above-the-line.

A campanha publicitária conta com a colaboração de dois chefs portugueses: Chef Henrique Sá Pessoa (Restaurante Panorama do Hotel Sheraton em Lisboa) e Chef Luís Américo (Restaurante Degusto em Matosinhos). Cada um dos chefs confecciona uma receita gourmet “Cherne com Cannelloni de Açorda de Marisco” e “Tempura de Morcela com confit de Maçã” enquanto declamam estas receitas sob a forma de poema.

Com criatividade da Strat a campanha foi desenvolvida com o intuito de reforçar a associação das novas Super Bock Abadia a valores como prazer, qualidade e sofisticação. Para além de televisão, a campanha vai estar também em exterior, outdoors, mupis e imprensa.

Fonte: M&P, 24 de Março de 2008

domingo, 23 de Março de 2008

Comunicar marcas nacionais

A Associação Empresarial Portuguesa vai promover acções de sensibilização junto de escolas, bancos, supermercados e praias. Em Abril arrancam duas acções, envolvendo 150 instituições de ensino superior e a distribuição de folhetos, nos balcões da Caixa Geral de Depósitos.

Fonte: Expresso, 20 de Março de 08

Aveiro aposta em mercado de produtos biológicos

A zona do Rossio, em Aveiro, vai começar a receber, nas manhãs de sábado, um mercado com produtos biológicos. A iniciativa arranca já hoje e promete corresponder "às necessidades dos consumidores que têm demonstrado uma procura crescente por este mercado específico devido a preocupações com a segurança alimentar, a protecção do ambiente e com o bem-estar animal", anunciou a Câmara Municipal de Aveiro.

O mercado semanal irá comercializar "unicamente produtos certificados, produzidos segundo o modo de produção biológico, para garantir a qualidade dos produtos e a satisfação das expectativas do consumidor", acrescenta a autarquia.

Importa referir que, nos últimos três anos, e no que concerne à zona da Beira Litoral, a área afecta a este modo de produção duplicou, o que demonstra uma crescente adesão à agricultura biológica e um esforço consertado no sentido de converter o modo de produção convencional ao biológico.

As actividades mais representativas nesta região passam pela produção de hortícolas e pela viticultura".

Fonte: Público, 22.03.2008, Maria José Santana

segunda-feira, 17 de Março de 2008

Sardinhas animam Allgarve

A gastronomia é a novidade do programa de 2008, que também traz ao Algarve um concerto de Lou Reed, ao qual Pinho não irá faltar

Mas este ano a novidade da programação do Allgarve está na estreia da gastronomia, em particular com a inclusão dos tradicionais festivais da sardinha e do marisco em Portimão e Olhão. José Bento dos Santos, empresário viticultor e reconhecido pelos dotes gastronómicos, coordena esta nova área do Allgarve que procura valorizar a culinária portuguesa.

Fonte: Expresso, 15 de Março de 08

Peixe em Lisboa

De 5 a 13 de Abril, Lisboa vai receber alguns dos maiores chefes nacionais, no evento «Peixe em Lisboa», a realizar no Páteo da Galé (junto ao Terreiro do Paço), das 15h às 23h (dias de semana) e das 10h às 23h (fim-de-semana). A funcionar a partir do meio dia, estarão representados oito restaurantes da região. www.peixemlisboa.com

domingo, 16 de Março de 2008

Vinhos à prova

Foi com uma prova de vinhos e um almoço no restaurante portuense Foz Velha que Paulo Amorim se despediu de 15 anos na presidência do G7, que agrupa seis das maiores empresas de vinho de Portugal (Aliança, Aveleda, Bacalhoa, Herdade do Esporão, José Maria da Fonseca e Messias). A passagem de testemunho a António Soares Franco só ocorre no final de Março, altura em que Paulo Amorim assume o seu novo projecto Wine Vision. Mas pode não ser um adeus definitivo. O seu sucessor acredita que o antigo director da Aveleda “vai voltar ao grupo dos maiores produtores nacionais dentro de alguns anos”, como empresário.

Fonte: Expresso, 15 de Março de 08

sexta-feira, 14 de Março de 2008

Região Oeste decide plantar 200 hectares de ginja

Reunidos num seminário que decorreu a 30 de Janeiro, em Óbidos, responsáveis políticos, técnicos e investigadores foram unânimes em defender a produção e divulgação da ginja de Óbidos e Alcobaça. Actualmente existem cerca de 10 hectares de plantação e o objectivo passa por, em 2013, existirem na região 200 hectares plantados a produzir um milhão de quilos. A Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça, em conjunto com a Câmara de Óbidos e a Direcção Regional de Agricultura desenvolveram o projecto Agro 940. O estudo sobre a qualidade da ginja de Óbidos e Alcobaça foi realizado pela Escola Superior Agrária de Castelo Branco, entre Junho de 2006 e Dezembro de 2007, e vinca que esta possui características especiais.

Fonte: Expresso e Gazeta das Caldas, 9 de Fevereiro de 08

O que é tradicional é bom... e vende

Portugal tem produtos agro-alimentares tradicionais de qualidade que só não vendem mais porque não são devidamente promovidos, tanto nos mercados nacionais como nos internacionais. E a prova de que as coisas funcionam quando são estrategicamente pensadas e executadas está nos prémios internacionais de renome ganhos recentemente por alguns vinhos e azeites portugueses.

Tendo percebido isso, João Tiago Carapau, formado em engenharia agrónoma, não hesitou em criar uma empresa de consultoria especializada em mercados alimentares com mais três colegas de curso. Foi assim que nasceu a Go To Market, em Maio de 2007.

Esta ideia, explica o jovem gestor, “surge precisamente como resposta à necessidade de capacitar as empresas e os empresários do meio alimentar de «know-how» estratégico e operacional mais especializado em termos comerciais e de marketing, visando uma crescente orientação das organizações para o mercado”.

João Carapau garante que Portugal pode ser particularmente competitivo na área dos vinhos e azeites, assim como nos hortofrutícolas, queijos, carnes e pescado, “reconhecidos e apreciados a nível nacional e internacional”.

E se dúvidas houvesse quanto à aptidão de Portugal para determinados produtos agro-industriais de elevada qualidade, bastaria constatar que o investimento estrangeiro neste domínio não pára de aumentar, nomeadamente na região do Alentejo, e com particular ênfase no subsector do olival. João Carapau dá ainda como exemplo o investimento estrangeiro já histórico em alguns domínios, como o inglês no vinho do Porto, ou ainda o belga e americano nos hortofrutícolas processados e frescos, especialmente no Vale do Tejo e na costa alentejana.

“Não estamos, pois, perante uma situação de falta de potencial ou de capacidade competitiva, mas antes de ausência de uma lógica de actuação de cariz mais global, à escala nacional e mundial, que privilegie uma orientação dos empresários para o mercado”, sublinha o gestor.

Na promoção de cada produto, a Go To Market privilegia o ‘ataque’ ao mercado em dois aspectos que os seus responsáveis consideram fundamentais: inovação e valorização.

Seguindo essa estratégia, a empresa estima que um bom resultado pode ser medido no aumento das vendas num montante que deverá rondar os 20%.

Fonte: Expresso, 12 de Janeiro de 08

Regressou raridade da José Maria da Fonseca

O famoso Moscatel de Setúbal “Torna Viagem” da José Maria da Fonseca, já regressou de mais uma viagem por terras e portos Sul-americanos. O “Torna Viagem” viajou a bordo do navio-escola Sagres, que passou por Mindelo, Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu, Rio de Janeiro e Tenerife.

À semelhança do que já aconteceu no ano de 2000, por altura da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o navio-escola partiu a 29 de Junho de 2007, transportando 4 cascos de Moscatel de Setúbal e 2 cascos de Moscatel de Setúbal Roxo na sua jornada por terras e portos Sul-americanos. Antes da sua chegada a Lisboa, a 16 de Outubro, a Sagres atracou nos portos Sul-americanos de Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu e Rio de Janeiro.

A José Maria da Fonseca descobriu o “Torna Viagem” há mais de um século. Na época em que navios cruzavam os mares do mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar todos. Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à casa mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma grata surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar. A passagem pelos trópicos, a caminho do Brasil, África ou Índia, quando atravessava por duas vezes a linha do Equador, uma na ida, outra na volta, parecia melhorar a qualidade do Moscatel de Setúbal e conferir-lhe grande complexidade.

“Com os choques térmicos sofridos durante a viagem, sabemos que o Moscatel Torna Viagem terá uma cor mais escura e características totalmente diferentes do que ficou cá”, diz António Soares Franco, presidente do conselho de administração da José Maria da Fonseca. Ao provar o Moscatel Torna Viagem, recém regressado, Domingos Soares Franco afirma que "O Moscatel ficou mais redondo, menos agreste. Está maravilhoso". Além das provas frequentes, os enólogos têm outra forma de avaliar as particularidades do “Torna Viagem”: um casco do mesmo vinho permaneceu na adega de Azeitão, enquanto os outros seis corriam os mares. O Testemunha, como é chamado pela JMF, serve para fazer a comparação com os que voltaram.

História
O “Torna Viagem” nasce de um facto curioso. A José Maria da Fonseca, quando foi fundada em 1834 por José Maria da Fonseca, privilegiou a exportação dos seus vinhos em garrafas. O Moscatel era a excepção praticada na casa, mas foi desta forma que surgiu a raridade e a lenda do “Torna Viagem”. O Moscatel de Setúbal, vinho generoso, tradição da José Maria da Fonseca, é comercializado desde a fundação da empresa há mais de 170 anos. A sua vinificação assemelha-se à do vinho do Porto e da Madeira. A fermentação é interrompida com a adição de aguardente vínica, atingindo uma graduação alcoólica de 18 a 20º. Em seguida, o líquido é macerado por cinco meses em contacto com as películas da uva, para obter maior tipicidade. Por fim, é envelhecido em cascos de carvalho usado de 600 litros, por um período mínimo de 24 meses, antes de ser engarrafado. A José Maria da Fonseca mantém uma cave em Azeitão, chamada de adega dos Teares Velhos, dedicada exclusivamente ao envelhecimento dos moscatéis topo de gama.

Fonte: Lusowine em Quarta, Janeiro 02, 2008 - 04:49 PM GMT

quinta-feira, 13 de Março de 2008

Dos licores e caviar para os ricos ao sabão e açúcar para os pobres

"Não há grandes superfícies que nos façam frente", diz o comerciante
No princípio do século XX, comia-se muito caviar russo no Algarve. Estava na moda, era "bem" e família brasonada ou abastada que se prezasse não dispensava as famosas ovas de esturjão. "Era um sinal exterior de riqueza e, por isso, no menu de qualquer recepção, cocktail ou jantar, doméstico ou oficial, obrigatoriamente tinham de figurar as famosas pequeninas bolinhas pretas." José Figueiredo, um farense de quase 80 anos, recorda que o único estabelecimento na região onde se podia adquirir tal iguaria era a Mercearia Aliança, que este ano comemora o seu centenário. "Aliás, era na Aliança que se comprava tudo o que era bom e caro, nacional ou importado", ressalva, nas memórias desfiladas ao DN.

Aberta ao público em 1908 por José Pedro da Silva, que pouco tempo antes tinha inaugurado o famoso Café Aliança, palco de tertúlias, disputas políticas, debates culturais e negócios, situado no mesmo edifício, no coração da Baixa da cidade de Faro, no culminar da não menos célebre Rua de Santo António e frente à Doca de Recreio, a Mercearia Aliança depressa se tornou um caso de sucesso. "Nessa altura, era uma das únicas mercearias de toda a região que vendia queijos da serra da Estrela e chouriços de Portalegre, que eram transportados em bidões de azeite para conservar o produto, bem como as melhores conservas de sardinha, atum e cavala do mundo, fabricadas nas unidades Fialho, em Portimão", lembra um dos sócios do estabelecimento, Eduardo dos Santos, de 72 anos, que há mais de 40 constitui a "imagem" do mesmo.

"Vinha gente de todo o Algarve adquirir os nossos produtos, que eram seleccionados, da mais alta qualidade", adianta o sócio-gerente (os outros são António Teixeira Melão e as filhas do falecido João Guerreiro), admitindo que a mercearia (hoje, devido às suas características, deveria chamar-se loja gourmet) tinha uma clientela maioritariamente de elite. "É verdade, não posso esconder esse facto. A Aliança era um estabelecimento destinado aos mais ricos, tendo em conta a qualidade e os preços elevados dos produtos". "Era frequentada pelos funcionários do Banco de Portugal, localizado quase ao lado, e dos outros bancos da Baixa, médicos, engenheiros, advogados, políticos, professores e muitas figuras ligadas à cena cultural e intelectual da cidade", como o último reitor do Liceu de Faro, Joaquim Magalhães, o homem que "descobriu" o poeta António Aleixo. "Mandavam os empregados ou criadas de casa com uma lista de produtos que dois funcionários nossos distribuíam ao domicílio (aliás, essa era a única função deles) e depois pagavam a conta no fim do mês", recorda Eduardo dos Santos, ironizando: "E que contas, valha-me Deus!"

Mas o ex-líbris da mercearia era a doçaria regional, a par dos licores e aguardentes de medronho e frutos secos. "Esta casa teve sempre doceiras a trabalhar em regime de exclusividade", refere o proprietário, ressalvando que "a maioria foi morrendo, obviamente, mas foi substituída por outras afamadas". "Hoje, os conhecidos bolinhos de amêndoa em forma de frutos ou animais e os queijinhos são feitos por duas doceiras de Messines, que não trabalham para mais lado nenhum, enquanto uma terceira só faz dom-rodrigos e uma quarta morgados de amêndoa", esclarece Eduardo dos Santos.

Os produtos regionais algarvios e a garrafeira (sobretudo os vinhos do Porto) continuam a ser o alvo principal da procura da clientela da Aliança. Uma clientela local e regional fixa e também um segundo grupo de nacionais, de outros pontos do País, que quando vão a Faro não deixam de fazer uma visita à mercearia. "Levam muita doçaria", explica Eduardo Santos, frisando que já os espanhóis preferem os patés e os queijos. Os restantes estrangeiros compram essencialmente licores do Algarve e vinhos de mesa e do Porto. "Nestas áreas, não há grandes superfícies que nos façam frente", afirma, com inusitado orgulho Eduardo Santos, manifestando evidente ansiedade pela reabertura das instalações, lá para Março, que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) mandou fechar, em Novembro, para obras de remodelação...

Fonte: Diário de Noticias, 19 de Janeiro de 08

quarta-feira, 12 de Março de 2008

Vinho premiado

O enólogo português Vicente Leite de Faria conquistou um importante reconhecimento internacional, através de uma apreciação extremamente favorável ao seu “Gloria Reserva Tinto 2004” por parte do crítico norte-americano Robert Parker (www.erobertparker.com). Numa escala de 0 a 100, este tinto do Douro recebeu 89 pontos, o que o coloca ao nível de alguns dos melhores tintos nacionais.

Fonte: O Primeiro de Janeiro, 12 de Março de 2008

segunda-feira, 10 de Março de 2008

Produtos locais matam saudade dos emigrantes

A Câmara Municipal de Vila Verde está a desenvolver contactos com a comunidade emigrante portuguesa em Mineola, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, para aí instalar uma loja de produtos locais.
A notícia foi avançada pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, José Manuel Fernandes, anteontem, à margem da inauguração do Salão Minho Gourmet, a decorrer até hoje no Centro de Dinamização Empresarial, em Soutelo.
José Manuel Fernandes fala de contactos “numa fase muito avançada” e acredita no sucesso da iniciativa.
À Câmara Municipal de Vila Verde cabe a escolha dos produtos e a garantia de que chegam em bom estado.

A comunidade emigrante portuguesa de Mineola - cidade que tem um “mayor” luso descendente com raízes em Barcelos (Jack M. Martins) - tem a missão de encontrar um espaço para instalar a loja e de a gerir.
O município de Vila Verde pretende levar tudo o que é artesanato local, com destaque para os “lenços dos namorados”, mas o edil garante que o cabaz da loja terá outros produtos, não só de Vila Verde, sendo o principal critério o da qualidade.

Outra preocupação prende-se com o desgin e nome da futura loja, já que José Manuel Fernandes acredita que a iniciativa poderá ser replicada noutros pontos do mundo, onde há comunidades emigrantes portuguesas.
O autarca vilaverdense sublinha que “é uma forma de os emigrantes estarem mais perto da terra”, conciliando “qualidade e saudade”.
Por outro lado, esta parceria com a comunidade emigrante é uma forma de, os portugueses que estão lá fora, ajudarem o desenvolvimento em Portugal.
“Podemos ligar o gourmet às nossas raízes” realça José Manuel Fernandes.

Fonte: Correio do Minho, 09 Mar 2008

domingo, 9 de Março de 2008

Tentar ser uma referência nos petiscos com as enguias

O mês da enguia ‘rainha do paladar’ está a decorrer neste concelho até final do mês. A iniciativa é anualmente organizada pela Câmara Municipal e conta este ano com a presença de 14 restaurantes, menos dois do que no ano anterior. Na apresentação do evento, o vereador Francisco Monteiro manifestou o desejo de ver Salvaterra reconhecida como uma referência nacional na confecção da iró “tal como Almeirim o é com a sopa da pedra”.

Fonte: Expresso, 8 de Março de 2008

sexta-feira, 7 de Março de 2008

Aromas e degustações na "Essência do Vinho"

Cerca de 2500 vinhos da velha Europa e do novo mundo vinícola - Argentina, Chile, Estados Unidos da América -, 300 produtores de todas as regiões vitivinícolas do país, provas, degustações e produtos gourmet. Tudo presente na "Essência do Vinho", iniciativa a decorrer no Palácio da Bolsa, no Porto. Até domingo, outros aromas vão, certamente, inebriar os sentidos de milhares de pessoas.

Se a cultura do vinho e sua imagem de excelência, mais a promoção de uma cidade indelevelmente ligada à exportação do vinho do Porto são demasiadamente importantes para divulgar um país, então, esta "Essência do Vinho" e o conjunto de actividades associadas são demonstrativos da vitalidade de um sector que, apesar de o Mundo ser cada vez mais globalizado e concorrencial, dá mostras de optimismo.

"Só precisamos de ser mais ajudados na exportação dos nossos vinhos. No Brasil, um dos maiores mercados emergentes do novo mundo vinícola, os preços dos nossos vinhos são mais altos do que os vinhos de maior qualidade exportados pelo Chile ou Argentina", lembrou, ao JN, Messias Baptista, produtor dos vinhos Messias, cuja quinta do Cachão da Valeira, no Douro, exporta 65% de néctares para a Europa.

A engenheira enóloga Ana Urbano bebe-lhe as palavras "Produzimos bons vinhos e temos boa aceitação nos mercados externos. Mas nem sempre o binómio qualidade/preço é convidativo para a bolsa dos consumidores portugueses", refere.

Enquanto falava ao JN, o Palácio da Bolsa enche-se de mais gente. As provas de diferentes marcas e colheitas sucedem-se. E o Douro, imortalizado por Torga, navega entre enólogos e apreciadores de um dos melhores vinhos do Mundo "Produzimos cerca de 600 mil litros, um milhão de garrafas por ano. O Reino Unido, a Bélgica e a França são os nossos melhores clientes", enfatizou Rute Monteiro, da Quinta do Noval, no Douro, com armazéns de vinhos em Gaia.

Há mais gente a apreciar néctares de estalo e de outro mundo. Numa breve pausa, Sampaio Pimentel, vereador da Câmara do Porto, elogiou a iniciativa "O vinho português é uma marca de excelência", diz. "Esta 'Essência [do Vinho'] é uma mais-valia para o Porto, o Norte e o país", considera Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto.

O Porto, recorde-se, preside à Rede de Capitais de Grandes Vinhedos - da qual fazem parte, entre outras, Bordéus, Bilbau, Florença e Melbourne.

Fonte: JN, 7 de Março de 2008

quinta-feira, 6 de Março de 2008

Super Bock entra nas cervejas gourmet

A Super Bock lançou ontem dois produtos Premium, a Super Bock Abadia Rubi e a Super Bock Gold, desenvolvidas a pensar, respectivamente, no acompanhamento de refeições de carne e peixe. O lançamento das novas Super Bock Abadia Gourmet representa um investimento global de três milhões de euros, incluindo desenvolvimento de produto e uma campanha below e above-the-line assinada pela Strat.
Com as novas Super Bock Abadia Gourmet, a Unicer pretende atingir um volume de vendas de um milhão de litros para as duas referências, já em 2008.
As novas Abadias surgem numa garrafa com design exclusivo da autoria da agência inglesa You. Esta não é a primeira vez que a Unicer trabalha com a You já que quando foi o lançamento da Super Bock Green também foi essa a agência responsável pelo trabalho.

Fonte: M&P, 6 de Março de 2008

Essência do Vinho enche a Baixa do Porto de aromas e sabores durante quatro dias

A partir de hoje e ao longo de quatro dias, o Porto vai ser a capital do vinho e da gastronomia. A quinta edição do Essência do Vinho traz ao Palácio da Bolsa 2500 vinhos, de todos os tipos, e 300 produtores. Paralelamente, o Mercado Ferreira Borges acolhe o Essência Gourmet, evento que conta com a presença de 20 chefs.
Provas comentadas, palestras e debates sobre diferentes tipos de vinho e aulas de culinária são algumas das cem actividades que vão acontecer durante o evento. "A Essência do Vinho tornou-se a principal mostra de vinho nacional", afirma Nuno Pires, um dos sócios da empresa que promove o evento. A proposta da organização é que os visitantes "vivam experiências diferentes", "frequentem os cursos" e "possam descobrir o país de Norte a Sul".

A Essência do Vinho arranca com a eleição dos dez melhores vinhos portugueses. Um painel de 44 jornalistas de diferentes partes do mundo (Espanha, Brasil, Reino Unido, Alemanha, entre outros) vai definir o Top Ten dos vinhos nacionais.
No que toca aos enólogos que vão participar nas provas comentadas, destaca-se Luís Sottomayor, que vai fazer uma prova de um vinho do Porto de 1863, da produtora Porto Ferreira. Esta prova acontece no segundo dia do evento e está integrada na mostra temática de vinhos do Porto.

Pela segunda edição do Essência Gourmet vão passar duas dezenas de chefs conceituados. Entre estes, cinco são estrangeiros. Fabrice Le Nud, eleito o melhor chef do Brasil em 2007, vai apresentar uma proposta de harmonização de vinho do Porto com chocolate. De acordo com o responsável pela organização, "este é um evento muito importante para a economia da cidade" do Porto. Nuno Pires acredita que o Essência do Vinho pode ajudar a cidade a promover-se como destino turístico ligado ao vinho e à gastronomia. Além de receber visitantes de todo o país, o evento recebe muitos estrangeiros.

"É uma oportunidade única para os produtores mostrarem os seus produtos, fazerem lançamentos e perceberem o que os consumidores querem", explica. Há 40 produtores estrangeiros entre as três centenas de empresas convidadas. João Portugal Ramos, Sogrape, Taylors, Bacalhôa Vinhos e Douro Boys são alguns dos produtores destacados pela organização.

Saber o que é um Porto Vintage, descobrir o prazer da prova e distinguir vinhos jovens de vinhos com idade são alguns dos objectivos das Conversas sobre o Vinho, sessões que decorrem ao longo dos quatro dias do evento e para as quais o bilhete custa cinco euros.

A organização espera a visita de cerca de 16 mil pessoas, afluência idêntica à registada no ano passado. Nuno Pires acredita que este número poderá ser até ultrapassado, sublinhando que 35 por cento dos bilhetes estão vendidos e que os hotéis apontados pela organização já se encontram lotados.

Fonte: Publico, 06.03.2008

quarta-feira, 5 de Março de 2008

Produtos tradicionais com regime especial

O PS dá a mão à palmatória e reconhece que poderá ter de fazer as derrogações necessárias ao regulamento 852/2004 do Parlamento Europeu e da Comissão que se refere à higiene dos géneros alimentares, para preservar produtos e práticas tradicionais, disse ontem, ao JN, o deputado Jorge Seguro Sanches. Mas o socialista admite que "ainda nada está decidido até porque o grupo de trabalho constituído para estudar os regulamentos comunitários ainda não se reuniu".

Fonte: JN, 5 de Março de 2008

domingo, 2 de Março de 2008

Cimento trama ovelheiros

Os ovelheiros na freguesia de Quinta do Anjo estão a desaparecer e os produtores do queijo de Azeitão receiam que o leite, essencial para este produto regional, comece a escassear. O problema está no crescimento urbano, dizem. O alerta é lançado por Valentim Pinto, presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Anjo, zona com maior concentração de ovelheiros, que afirma ser já grande o número de produtores que estão a alimentar as ovelhas à base de fenos devido à redução dos pastos. Uma preocupação também manifestada pelo presidente da Comissão de Ovelheiros local. Marco Monteiro queixa-se que a especulação imobiliária tem vindo a reduzir as áreas de pastagem e a dificultar a vida aos ovelheiros.

Fonte: Expresso, 1 de Março de 08