terça-feira, 21 de Outubro de 2008

O rosé é um mito, mas o Alentejo não

O vinho rosé, afinal, é um mito. A conclusão decorre dos dados mais recentes do consumo nacional. Apesar da aposta de marcas de todas as regiões no rosé, a categoria mantém uma quota inalterada e incipiente de 2,5%. Fica a advertência: a procura não acompanha o aumento da oferta. O tinto triunfa, representando 60%, mas o mercado debate-se com escassez de branco.

Em volume, o consumo nacional estagnou nos 91 milhões de litros, mas, em valor, 2007 registou um crescimento de 4%. Atingiu os €373 milhões e um preço médio por litro de €4,10, um valor calculado a partir dos preços praticados no retalho e na restauração. A distribuição alimentar representa dois terços das vendas mas os produtores queixam-se de que à saída da adega os preços não aumentaram.

No campeonato das regiões, o Alentejo ganha em toda a linha. Mas a subida do regional alentejano (3%) canibalizou o seu Denominação de Origem Controlada (DOC). Representa 40% do consumo e factura €152 milhões. A má notícia é que os preços estão em queda, ainda assim acima da média nacional. No regional, o preço médio é de €4,45 e no DOC €4,93.

Na evolução dos preços, a região mais desconfortável é a dos verdes. A sua quota de mercado subiu, em quatro anos, de 13,8% para 16,7% mas o preço médio (€3,6) compara mal com o sector. Já o Douro surge como o campeão no preço de venda (€5,73). Evoluiu de 8,5% para 9,8%, alcançado um lugar no pódio. Trocou de posição com a categoria designada Vinhos de Mesa, o segmento mais barato e sem região definida. A Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (Andovi), a partir dos dados Nielsen, verifica com agrado a perda de importância desta categoria, indiciadora de uma transferência para vinhos mais caros. Os Vinhos de Mesa perderam um terço de quota. Nos últimos quatro anos, a região do Dão é a única que perde terreno, mas em 2007 inverteu a tendência de queda e voltou a representar mais de 5% das vendas.

Fonte: Expresso, 5 de Julho de 08

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